A felicidade está nas coisas simples!

Dia desses, conversando com uma pessoa que conheci há pouco tempo, falava sobre meus valores, projetos de vida e preferências de programas a se fazer nas horas vagas. Em meio ao diálogo, essa pessoa me disse, em tom de espanto: “nossa, mas você tem gostos bem simples, né?!”

Essa fala, certamente, me causou incômodo de imediato, mas eu não entendia muito bem o porquê. Dias se passaram, em mais um encontro, ouvi: “deve ser muito fácil te agradar. Isso é bom, porém pode ser entediante”. Mais incômodo. Essa situação se repetiu algumas outras vezes com outras pessoas também.

Eu, que tenho memória péssima, vi que precisava digerir melhor essas situações quando percebi que lembrava o tempo todo dessas frases. O incômodo queria me dizer algo. Seria eu tão esquisita por gostar de coisas simples? Seria eu uma exceção ruim? Seria eu alguém desinteressante por gostar de coisas simples?

Parei pra pensar o que é realmente o simples. Será que apreciar um nascer do sol é algo realmente simples? E tomar um banho de mar ou de cachoeira? É simples demais ter muito prazer em ver sua família feliz, reunida à mesa num almoço de domingo? É irrelevante passar horas de um sábado a noite, apenas conversando, em casa, com aquela amiga que te entende só de te olhar?

Sempre digo que a felicidade está, sim, nas coisas simples da vida. E por mais clichê que isso possa soar aos nossos ouvidos, não há realidade mais pura. A simplicidade se tornou rara e desvalorizada.

Pare para pensar o que seria ter muito dinheiro e sucesso profissional, viagens, influência, status, muito conhecimento, se você não tem saúde para usufruir de tudo isso. Ou se você não tem alguém que você ame e que te ame para compartilhar esses prazeres. Ou se você simplesmente não se ama…o que te leva, nesse caso, a não ser feliz de maneira nenhuma.

Eu não sei em que momento da história da humanidade a simplicidade se tornou irrisório e que configura algo de menor importância. Freud, sempre muito sábio, já disse (e concordo): “A nossa civilização é em grande parte responsável pelas nossas desgraças. Seríamos muito mais felizes se a abandonássemos e retornássemos às condições primitivas.”. Voltemos à essência. Talvez lá, bem pertinho da simplicidade, esteja a plenitude da felicidade.

 

(Texto: Adrielli Lorete – Jornalista da equipe Porque Eu Me Amo)